A evolução do serviço de sonoplastia (DJ) no Rodeio anda junto com a evolução da tecnologia musical. Antigamente eram utilizados discos de vinil (LP) e o sonoplasta trabalhava com dois toca discos, na época os da marca Technics eram os mais usados.

Uma curiosidade que poucos conhecem é sobre a estratégia que o sonoplasta utilizava para deixar a musica exatamente no ponto de execução, ele deixava a parte da musica escolhida no ponto exato de onde se queria começar, e para isso, antes do inicio do trabalho, ele separava todos os LPs e, nas musicas escolhidas ia colocando um pedaço de esparadrapo marcando o local exato de onde se iria colocar a agulha para tocar.

Na seqüência desta evolução tecnológica e de equipamentos vieram os Tape-Decks, onde as músicas eram executadas através de fitas K7s que, para quem não conheceu ou não se lembra, eram pequenas caixas acrílicas com fitas magnéticas, sendo as da marca BASF as mais utilizadas.

No caso das fitas k-7 a curiosidade era que os sonoplastas gravavam várias músicas e refrãos, depois cortavam no ponto de tocar e montavam cada pedaço em uma fita, quando ia para o rodeio ele levava uma caixa com fitas, de vários tamanhos e durações, que eram dispostas em uma bancada numa seqüência a ser utilizada durante a apresentação.

Em meados da década de 80 chega a tecnologia do Mini Disc (MD) e do Compact Disc (CD), onde a qualidade do som reproduzido cresceu muito e a agilidade e poder de criação dos sonoplastas deu uma virada de 360 graus.

A curiosidade, então, era que os sonoplastas passaram a ter necessidade em utilizar muitos aparelhos para tocarem seus MDs e CDs, passando então a surgir os famosos” CASES” onde eles organizavam seus racks, que continham aparelhos de MD e CD dispostos um sobre o outro e interligados à um cabo que era plugado na mesa de som. Outra curiosidade é que os sonoplastas levavam suas pastas com centenas de CDs e as caixas de madeiras, especialmente desenvolvidas, que continham uma quantidade enorme de MDs, para que pudessem utilizar durante a sonoplastia do rodeio.

Já no final da década de 90, foram introduzidos os computadores, a princípio os que utilizavam CPUs e monitores, e a revolução digital chegou ao rodeio trazendo conforto, praticidade e dando muito mais agilidade aos sonoplastas que dispunham de verdadeiros estúdios musicais virtuais, com milhares de musicas e com a possibilidade de uma infinidade de efeitos de áudio para uma apresentação, tudo isto à apenas um toque e em frações de segundo.

Nesta mais recente fase, tudo realmente mudou e a tecnologia e os novos equipamentos, como os Notebook de última geração, com programas sofisticados e que se modernizam quase que diariamente, possibilitaram ao sonoplasta dar uma dinâmica toda especial e fazer com que o locutor tenha um excelente desempenho durante suas apresentações.

A curiosidade, nesta fase, é que no inicio destes serviços com equipamentos super modernos muitos sonoplastas se mostraram resistentes em trabalhar com os computadores, pois tinham mais segurança no uso de equipamentos de MD e os consideravam mais confiáveis, até porque a tecnologia da área de informática ainda começava no Brasil e, só com o passar do tempo e com a evolução dos equipamentos fez com que até os mais reticentes acabassem se rendendo a nova tecnologia, e nos dias de hoje, é muito raro o sonoplasta que não se utiliza de um Notebook para seu trabalho, sendo que com a globalização eles conseguem encontrar na internet, praticamente, todas as músicas que já foram lançadas no mercado, o que lhes permite diversificar muito mais e com muita rapidez o uso das músicas durante a sonoplastia do Rodeio.

Os sonoplastas ao longo do tempo, sempre utilizaram a música para criar mais emoção, e com toda esta evolução, atualmente são mais conhecidos como DJs. São profissionais que geralmente não aparecem, pois trabalham dentro do caminhão de som, às vezes até em uma barraca improvisada ao lado da arena ou mesmo no fundo dos palcos montados para shows musicais, longe do clamor do publico, mas com a sensibilidade e o talento de tocar uma infinidade de músicas em estilos diferentes sempre com a preocupação de valorizar o trabalho dos locutores e demais profissionais da narração e, principalmente, de fazer com que o publico possa se divertir e participar dos eventos.

Após tanto tempo e com tantas evoluções tecnológicas, é quase impossível se lembrar dos primeiros sonoplastas que eram obrigados a carregar um veículo apenas com seus equipamentos e assessórios de trabalho, chegando aos eventos horas antes e levando muitas horas para instalar e organizar todo seu material de trabalho. Afora o investimento em equipamentos caros e às vezes raros, os sonoplastas ainda tinham que adquirir seus LPs, fazendo com que destinassem boa parte de seus rendimentos na compra e manutenção de um trabalho quase artesanal.

Por fim, tentamos traçar a linha do tempo com os mais conhecidos sonoplastas de Rodeio, numa cronologia onde fomos buscar o primeiro sonoplasta que foi nada mais que Zé do Prato, que além de narrar ás emoções colocava suas próprias músicas e, talvez sem imaginar, criou o sistema de sonorização e sonoplastia, assim como surgiu o grande e inesquecível Chiquito (Chiquito Som) que ao sentir esta necessidade, de uma interação com músicas entre o locutor e o publico, se acabou se transformando também num sonoplasta e prestava este serviço a todos que utilizavam seu som. Na seqüência, ou até paralelamente, vão surgindo outros sonoplastas como Valdecir, Ferreirinha, Ernesto Trautman (ET), Cobra (Equipe Asa Branca), Boca, Pedro Muzzarela, Branco Billy, PH, Typpo, Neucler, Maurício P.A., Valtinho Dracena, Gean Malta, Lessauro, Saur Batera, Mamute, Serginho Bala, Prof. Márcio Sobhie, Fofão, Maionese, Juninho Velho Johw, Camarguinho, Vitor,  Pertel,  Arone (Pitbull), Perereka, Madrugada,  Edson,  Siri,  Branquinho,  Lebrão, Batman,  Caverna, Xuxa,  Xuxu, Pancho, Bonanza, Buzolin, Onça, Cascavel, Pitbull, Alexandre Moreno, Vinicius Souza,  Samuca, Lugano,  Leandro, Kabide, Querubim, Julinho Bill, Juninho Tibério, Vitor, Ramiro, Serginho Konska, Renato de Paula,  Murfhy, Douglas,  Célio, Marcinho, Guto, Murdock , Juninho Country, Smurf, Latino, Superboy, Kiko, Vaca, Americano, Japa, Sandro, Banana, Panda, Taxinha, Snarf…. e uma dezena de outros DJs que surgiram e surgem a cada dia, valorizando o rodeio brasileiro. Enfim, do vinil ao notebook são estes os profissionais entre muitos outros, que fazem a historia da sonoplastia do rodeio brasileiro.

Esta matéria tem a pretensão de homenagear e, principalmente, mostrar através da Revista È Rodeio o inestimável valor deste profissional, antes sonoplasta, hoje DJ, que é o principal meio de interação entre os locutores e público nas festas e que, sem dúvida alguma, é o profissional que dá vida ao espetáculo e que passa horas atuando no todeio e é pouco percebido. Mas, tente fechar os olhos e imaginar um Rodeio sem música, sem as brincadeiras dos locutores com o público, sem as frases de efeitos, tente imaginar apenas uma abertura, com a entrada de todos os profissionais na arena, da oração e queima de fogos sem a intervenção precisa do DJ. É impossível.

Hoje são centenas de profissionais de sonoplastia em todo o país e os que aqui destacamos é uma pequena parte desta enorme legião de profissionais abnegados e dedicados desta grande família chamada rodeio, por isso essa homenagem de Paulo Gomes, Siderley Clein e Revista È Rodeio a todos esses grandes profissionais.

Texto: Paulo Gomes / Colaborador: Siderley Clein

Informações sobre curiosidades antigas: Professor Márcio Sobhie e Ferreirinha.

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